Como robôs e drones já participam ativamente do varejo que conhecemos

October 25, 2018

Mercedes-Benz, Amazon, GAP, Uber usam robôs para ajudar no empacotamento e na logística de entrega de seus produtos

 

Entregas realizadas através de drones são um assunto discutido há algum tempo. Há dois anos, a Domino’s entregou a primeira pizza via drone no mundo, na Nova Zelândia. Um dos pontos positivos encarados pela entrega via drone é que eles não passam por trânsito ou semáforos, além de poderem ser controlados remotamente. Com a tecnologia, os clientes podem ter uma data e horário assertivos da entrega.

 

Há um ano, a Daimler, dona da Mercedes-Benz, fez parcerias com startups para testar a mesma iniciativa. Coincidência ou não, a entrega com drones foi testada novamente na Nova Zelândia. A ideia da empresa era de que um colaborador embalasse os pedidos e carregasse o drone, que leria um código QR do pacote e o levaria até o destino.

 

Neste ano, grandes empresas de tecnologia como Amazon, Google e Uber estão trabalhando já na evolução desta ideia. As companhias estão desenvolvendo drones autônomos que realizam entregas. A Amazon e o Walmart, por exemplo, já patentearam iniciativas em que possuem armazéns flutuantes em que drones entregam os pedidos dos clientes direto em suas portas de casa. O The Wall Street Journal classificou o fenômeno como a “physical cloud” – uma nuvem física.

 

Uma grande dificuldade encontrada para que iniciativas como essa não sejam tão comuns é a regulamentação. Ao passo em que os drones são tecnologias inovadoras que nos permitem alcançar locais em que veículos sobre rodas ou aéreos não chegam com facilidade, eles permitem que o façamos – e ainda com velocidade. No entanto, essa tecnologia também pode apresentar uma ameaça à segurança, caso seja mal-intencionada. Já existem startups desenvolvendo soluções para esse problema – esse é o caso da SkySafe, que recebeu um aporte de US$ 11,5 milhões no ano passado.

 

Mas, se apesar do potencial, os drones continuarem a enfrentar dificuldades, existe outra tecnologia que também pode auxiliar – e muito – nos processos de logísticas de grandes varejistas e que não possui grandes problemas de regulamentação. Se você faz compras na Amazon, saiba que sua compra pode estar sendo parcialmente embalada por um robô.

 

É que, em grandes centros de distribuição da varejista – como o de Baltimore, nos Estados Unidos -, é possível ver robôs entregando produtos para colaboradores, que leem o que deve ser escolhido e onde colocá-lo. Então, o humano escaneia o código de barras e o leva para uma prateleira rolante robótica que traz o produto diretamente para o setor de empacotamento.

 

É a inteligência artificial quem sugere o tamanho da caixa a ser usada em cada produto – o único trabalho do humano é de colocá-lo dentro da caixa. Os próprios robôs a fecham e colam a etiqueta que identifica a entrega. Segundo o The Wall Street Journal, os humanos são majoritariamente necessários para realizar tarefas que os robôs ainda não dominam.

 

Se antes a Amazon utilizava um minuto para que um humano colocasse o pacote em um caminhão, esse número agora pode ser reduzido a zero. A varejista de Jeff Bezos não criou, é claro, essa tecnologia do nada – e ela não foi sempre sua. A startup Kiva é quem está por trás desses robôs, que podem carregar até cerca de 340 kg por vez.

 

Empresas como a Gap, Saks Fifth Avenue e Staples são exemplos de empresas que utilizaram as soluções da Kiva, que foi comprada pela Amazon em 2012. A startup, criada em 2003, foi adquirida por US$ 775 milhões – movimento decisivo para que a varejista se tornasse líder também no uso de robôs em seus centros de distribuição. De acordo com o Deutsche Bank, a aquisição da startup tornou possível que os custos de estoque da Amazon fossem reduzidos em 20% - é claro que, devido a eficiência, a Kiva trouxe saudades para seus antigos clientes.

 

Devido as patentes, experiência e eficiência da startup, nenhuma das outras empresas de robôs foram capazes de criar um sistema comparável até recentemente. Christopher Atkeson, professor de robótica na Carnegie Mellon, afirmou que um braço robótico será capaz de substituir os trabalhadores dos estoques da Amazon em cinco anos. Não que isso esteja nos planos da varejista – ao menos, não ainda.

 

Recentemente, a Amazon aumentou o salário mínimo de seus colaboradores. Hoje, a varejista emprega cerca de 575 mil pessoas – um crescimento de 340 mil colaboradores se comparado há um ano, segundo o TWSJ. Com a ascensão dos robôs, não há como prever se esses números continuarão crescendo, mas o chefe de tecnologia da Amazon Robotics, Tye Brady, afirmou ao jornal que a companhia está sempre procurando maneiras de tornar seus funcionários mais eficientes.

 

Já a JD.com, uma das maiores varejistas da China, tem outras diretrizes. Richard Liu, CEO da companhia, afirmou que seu objetivo é de ter sua força de trabalho 100% composta por robôs. Hoje, a empresa chinesa já possui uma grande parcela de sua atividade automatizada e compartilha do mesmo interesse por drones.

 

 

O melhor sistema robotizado do varejo


Mas, se a Amazon é líder no “varejo robotizado” em termos de escala, existe uma empresa que ultrapassou a varejista em termo de sofisticação. Esse é o caso da Ocado, uma mercearia online da Inglaterra. Em um centro de distribuição nos arredores de Londres, é possível ver robôs do tamanho do R2-D2 de Star Wars andando e se aproximando sem nunca sofrer com colisões.

 

Se a sua pergunta é “como um robô pode lidar com alimentos corretamente?”, eu vou te explicar. Após receber um pedido pela internet, um robô da Ocado vai até a prateleira específica e posiciona o produto em uma esteira rolante, que o leva até os colaboradores. Como no caso da Amazon, os funcionários empacotam os produtos, que são levados até o transporte pelos robôs de forma autônoma – algo ainda não realizado pelos robôs da varejista de Bezos.

 

A Ocado se destaca também pelos seus softwares. A inteligência artificial auxilia para a otimização de toda a cadeia de logística da empresa – desde onde estocar os milhares de itens, quais devem ser empacotados primeiro e em quais sacolas, quais itens devem ir em cada caminhão (para que um sorvete não derreta no meio do caminho, por exemplo). A tecnologia mensura quais são as melhores opções – realizar uma entrega mais rápido ou usar o espaço de forma mais eficiente – e toma a decisão considerando todas as variáveis.

 

Depois de 18 anos e inúmeras mudanças no sistema, a Ocado consegue entregar as compras para seus clientes em suas portas pelo mesmo preço que pagariam se as comprassem na loja. E esse parece ser apenas o começo para a varejista. Segundo o Wall Street Journal, a empresa possui patentes relacionadas ao uso do sistema em fazendas. Talvez algum dia os robôs poderão recolher as próprias frutas de suas árvores, higienizando e as entregando imediatamente com drones. A iniciativa é semelhante ao que a Amazon fez há algum tempo – cortou os intermediários ao possibilitar que empresas chinesas, por exemplo, vendessem diretamente para consumidores em todo o mundo.

 

Outro sonho da Ocado, de acordo com Paul Clarke, CFO da empresa, é de utilizar robôs para carregarem containers, visto que esse é um trabalho de grande dificuldade e que possui grandes problemas.

 

 

Entregas com veículos autônomos


Apesar de pensarem em iniciativas com drones, a Amazon e o Walmart não descartam as opções de transporte terrestre – elas apenas estudam opções mais elaboradas do que as que já existem. Entre elas, as vans autônomas, que poderiam entregar produtos diretamente para os consumidores ou colocá-las no depósito mais perto (em forma de armário) mais próximo da sua vizinhança.

 

O modelo acaba também reduzindo custos à longo prazo por não precisar de um humano e por excluir iniciativas consideradas básicas para nós, como volantes, airbag, cintos de segurança e até os próprios bancos. Dessa forma os veículos poderiam ser feitos de qualquer formato, especialmente pensados para trazer mais eficiência às entregas. Por isso, veículos em formas de “cápsulas” não seria uma surpresa. Será que o próximo passo é termos uma van autônoma que entrega pizzas, tal qual no seriado da Netflix Black Mirror?

 

Artigo originalmente publicado em: https://startse.com/

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